domingo, 23 de setembro de 2007

Quebrando a Criação

Escrevendo um texto há pouco tempo coloquei essas duas palavras perto e descobri como elas são extremamente parecidas foneticamente (pelo menos pra mim são). Pensei e viajei, como eu bem sei fazer, e percebi que a semelhança dessas palavras vai muito além disso.
Criar pré-supõe algo novo, gerado a partir de algo diferente. Para isso é necessário quebrar o antigo (claro que nesse momento falo da arte, não da vida como um todo, senão não teríamos pais), sem desprezá-lo, pois a fonte é muito importante e como diz meu querido amigo Lavoisier “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
O difícil é fazer essa transformação. Somos desde pequenos acostumados a seguir padrões, eles são, sem dúvida, importantíssimos para entendermos o que vem antes. Mas saber que eles não são eternos e que a compreensão vá muito além dessa convenção é importante.
Guimarães Rosa quebrou todos os padrões gramaticais em suas obras para que ela ficasse, além de literária, gráfica. Lygia Clark quebrou os padrões da que a moldura impunha aos quadros, depois quebrou bidimensonalidade, e como se não bastasse, quebrou os padrões dos sentidos, que até então passavam simplesmente pela visão e audição, para que a arte se tornasse mais sensorial. Sylvain Chomet quebrou a distancia entre a fantasia e a realidade para criar uma mensagem que vai além das idades. Brecht quebrou a subserviência aos financiadores para criar uma arte com crítica social.
Fazer isso não é fácil, nem um pouco. “Mentes Comuns” não podem fazer isso. Mas mentes comuns são simplesmente aquelas que foram condicionadas a serem cômodas o suficiente para não ter vontade de quebrar. Criar é um exercício diário de quebrar, que passa pelos padrões e pelo nosso modo de viver, é principalmente quebrar o comodismo.
Ou pode ser que um dia eu veja que estou completamente errado nisso e quebre essa teoria para criar uma nova.